Alex Kidd - The Lost Stars (Análise)


Alex Kidd é considerado um dos mais personagens mais influentes dos videogames na “era 8-bits”, a 3° geração de consoles. Criado pela Sega, em 1986, a empresa tinha, na época, o intuito de utilizar este protagonista “competir” com os lançamentos de jogos relacionados ao Mario, principal mascote de sua “rival”, a Nintendo.

Os games de Alex Kidd estenderam-se até a 4°geração de consoles. A primeira produção foi Alex Kidd In Miracle World, lançado para o Master System. Pode-se dizer que seu jogo de estréia foi um sucesso, e ajudou a popularizar o Master System no Ocidente.

No Brasil, o Master System II, segunda versão brasileira deste console, já trazia o primeiro jogo do Alex Kidd em sua memória, sendo um dos modelos mais vendidos deste aparelho. Muitos gamers na década de 80, provavelmente, conheceram primeiro o Alex Kidd, antes de sequer ouvirem falar do Mario. Isto ocorreu porque os lançamentos e jogos da Nintendo tiveram um “marketing” consideravelmente ruins em nosso país, naquela época. Eles tardaram a chegar no Brasil, se compararmos com as produções da Sega, distribuídas pela Tectoy e que já estavam “ganhando espaço” por aqui.


Se você quiser saber mais informações sobre o Alex Kidd e seus respectivos games, ou se, por algum motivo, você não conhece Alex Kidd, ou não se recorda muito sobre a história dele, sugiro que leia a seguinte postagem, indicada abaixo. Ela foi criada por Shadow Mario, um dos redatores e administrador deste blog:







Por alguns anos, principalmente na América Latina, Alex Kidd foi um dos personagens de videogame mais famosos. Com o sucesso dele, a Sega continou a criar mais jogos dessa franquia. Um deles, foi “Alex Kidd - The Lost Stars”, para o Master System, e que eu analisarei nesta postagem.


Lançado em 1988, este game é um “port” do único jogo que o Alex Kidd recebeu para os “arcades”. Eu ainda não joguei a versão para os fliperamas (via “emulação”, pois oficialmente ela é bem rara), mas, por muitos, ela é considerada um bom jogo.  

Porém, é perceptível o pouco cuidado que a Sega teve ao criar a versão 8 bits. Francamente, considero este port horrível e creio que este é um dos piores jogo do Master System que eu já joguei, até o momento (no meu conceito, “perdendo” apenas de lançamentos como Ghostbusters, Rocky e Alf ). Apesar disso, curiosamente, acho a capa ocidental deste game muito boa. A Tectoy também gostou desta capa e utilizou um recorte dela para promover o Master System II.

Na minha opinião, seus detalhes a tornam até mais bonita do que a capa ocidental do clássico Alex Kidd in Miracle World.


“The Lost Stars” foi o segundo jogo “side-scrolling” do Alex Kidd, para o Master System. É provável que muitos gamers que conheciam esta franquia estavam empolgados para jogarem uma “continuação” do primeiro game. Isso, somado à ótima capa que ele recebeu, atraiu vários jogadores a comprá-lo.
Infelizmente, muitos, ao redor do mundo, se decepcionaram com o jogo. Começando pelo “title screen” dele...
  

Com você talvez possa conferir na imagem acima, o título do game é exibido em um fundo preto, mostrando um suposto Alex Kidd deslocando-se entre dois blocos com setas (dando a impressão de que ele está pulando). Um desperdício de cores e criatividade, considerando  o  hardware do Master System (basta comparar, por exemplo com os titles screens dos dois jogos antecessores e notar a diferença).

É perceptível também a mudança no “design” do Alex Kidd. O rosto dele, obviamente, foi bastante alterado. Ele já não se parece muito com o Alex Kidd.  Imagino que, se não fossem as “orelhas de abano”, seria impossível reconhecê-lo, tendo apenas a roupa como guia.

Me lembro que a primeira impressão que tive dele, na infância, é que aquele se tratava de um Alex Kidd em uma versão mais jovem. Isto, porque, suas roupas cobriam quase o corpo todo, deixando de fora a cabeça e as mãos. Este tipo de vestimenta é bem parecido com as que bebês utilizam. Mas, é claro que não era. Aquele design é apenas mal-feito mesmo xD

Inicia-se o jogo pressionando o botão 1, a seguinte cena aparece e alguém diz “Find Miracle Ball”:



Esta fala indica o objetivo da fase. De início, talvez possa parecer até interessante “ouvirmos vozes” no Master System que indicam o que devemos fazer. Porém, é evidente que os criadores de The Lost Stars aplicaram muito mal este recurso. A cada fase que você passa, a mesma frase é repetida novamente. Isto significa que em todos os leveis o objetivo é o mesmo. Para mim, isto faz com que esta fala seja completamente dispensável e inútil.

A cada level que iniciamos, um novo ícone também aparece. Tratam-se de símbolos que representam o zodíaco. Isso que justifica o título do jogo: “As Estrelas Perdidas”. Mesmo assim, não consigo encontrar nenhum sentido entre o objetivo das fases, encontrar uma bola, com “libertar” estrelas.

Antes de analisarmos estes leveis, em si, gostaria de ressaltar alguns aspectos sobre a jogabilidade geral do game. Os comandos são um tanto básicos, na minha opinião, porém, típicos do gênero side-scrolling, como andar e pular. Porém, imagino que eles não funcionam tão bem quanto deveriam (principalmente se os compararmos com o “The Lost Stars” do “arcade”). No total, são três movimentos:

Andar:



Alex Kidd se movimenta para frente e para trás. Porém, era de se supor que o personagem parado também olharia para ambos os lados, como em qualquer jogo “plataforma” que existe. Mas, não. Parado, o Alex somente olhará para frente. Ele nunca olha para trás parado, apenas em movimento. “Por que isso é ruim?” – você  talvez se pergunte. Leia sobre o próximo movimento:

“Poder S” (?)


Este tal “poder S” é única forma para derrotar inimigos no jogo. Imagino que seja alguma coisa como água que “brota” do corpo (porque o protagonista permanece estático, sem nenhuma animação). Para utilizá-lo no jogo é preciso encontrar um “quadrado” vermelho com a letra S estampada. Na verdade, não sei o que especificar o motivo de ser a letra S. Talvez seja a inicial de alguma palavra que eu não me lembre ou não conheça. Por isso, simplesmente o chamo de “poder S”.

Ele como um jato de água (ou sei lá o que são esses riscos... Pode ser urina do Alex, sei lá xD ) que, conforme utilizado é preciso ser recarregado. Ou seja, é preciso encontrar letras S para continuar usando o tal poder. Em um medidor no canto superior esquerdo é listada a quantidade restante  de “S”

Como não é possível ficar parado e olhar para trás ao mesmo tempo, o jogador sempre lançará os “jatos de água” para frente (mesmo se estiver correndo para trás!). Isto pode incomodar muitos pois sempre é necessário estar de frente para um inimigo para acertá-lo.

“Poder J”

Uma letra J que te deixa um pouco mais rápido, por alguns instantes.

Pular

Alex Kidd abre as pernas, parecendo que ele está treinando “espacate”. Isto me parece um tanto esquisito... Na versão de fliperama o Alex Kidd não pulava assim. Então por que ele pularia desse modo em um port?

Algo tão básico como pular isso, chega a ser impreciso. Os pulos são um tanto estáticos e sempre possuirão a mesma altura, o que pode incomodar muito, alguns, durante o jogo.

*obs: (algo bem parecido com o pulo de Pocket Monster, ou “Picachu com C”, para Super Nintendo – não chega a ser tão ruim, pois em Alex Kidd - The Losts Stars é possível se movimentar durante o pulo, mas, me fez lembrar um pouco).

Só existe um “sprite” para o pulo. Ou seja, mais uma vez, pular para trás pode ser um pouco estranho.

O jogo também possui um medidor de vida. É uma barra que conforme você anda ela vai diminuindo e quando se esgota, uma mensagem de “Time Up” é exibida. Algo um pouco parecido com outro jogo do Master System Wonder Boy (também conhecido Adventure Island no “Nintendo NES).

Após morrer, o Alex Kidd grita e se transforma numa geléia amarela... Depois de gastar todas as vidas, uma mensagem perguntando se você quer continuar sempre aparece. Ou seja, o jogo tem “continues” infinitos.


Inicialmente, eu planejava analisar, detalhadamente, todas as fases do jogo. Porém, imagino que isso tornaria a análise ainda mais extensa e repetiva, pois maior parte dos “erros” do game devem-se aos defeitos de jogabilidade, já listados.

Sendo assim, irei citar algumas fases específicas que, de certa forma, foram mais “relevantes”, enquanto eu “fechava” o jogo.

Vamos começar com o primeiro level, indicado por uma caixa de presentes cor de rosa:

Logo em seu início, e possível perceber que essa fase é formada com elementos característicos do “universo” infantil. Alex Kidd caminha sobre dados coloridos enquanto enfrenta diversos inimigos que, aparentemente, podem ser brinquedos, como um cachorro  indestrutível que “vomita” letras que pulam, formando a palavra Bow Wow (obviamente, um latido de cachorro); Pintinhos amarelinhos...




... um palhaço invencível que pula em sua bola, sendo necessário encontrar algum vão entre os pés dele e a bola para não levar dano, uma cabeça flutuante de urso biônico com uma bola na boca e um baralho com cartas infinitas que andam.

Imagino que vale citar que, além das letras S e J, é possível, na fase, encontrar outros itens que dão pontos ao jogador como, por um exemplo um homenzinho oriental flutuando...

Se levarmos em consideração que é o primeiro level do jogo e que possuí vários inimigos invencíveis, ele pode ser difícil, no princípio. O objetivo nele, assim como em todos os demais leveis, é chegar à placa de “Exit” e, ao fazer isso, você passa para a próxima fase.

A segunda fase é marcada pela presença de um típico personagem da Sega e que, algum dia, já foi o mascote que representava a empresa. Ele se chama: “Opa-opa”. Esta aparição provavelmente, é o toque mais criativo que The Lost Stars possui, mas não se deve à versão de Master System, que estamos analisando, mas, sim, de sua versão original de arcade.

Pulando para o terceiro level, temos um tipo de floresta assombrada. Entre esqueletos e morcegos, um inimigo específico se destaca nessa fase:

Um “punk”  pelado cagando caveiras pela bunda!



Admito que quando vi isso pela primeira vez, jogando mesmo, não pude conter os risos. Isto é simplesmente nonsense. Não sei se este inimigo existe na versão de árcade, mas o fato dele estar em um jogo do Alex Kidd é um absurdo, para mim.

A terceira fase também parece ter um visual “beta”. Existem várias texturas quadradas e mal recortadas, não se encaixando bem com o cenário. Também existe um tipo de elevador bugado que faz o Alex levitar de dentro de um buraco na terra. Simplesmente, acho que não dá para saber o que seria aquilo.

O jogo possui seis fases com uma dificuldade geral bem difícil, na minha opinião. Pois, além de ser um port de arcade (e jogos de fliperamas, geralmente não são fáceis), a jogabilidade ruim pode atrapalhar muito durante todos os leveis, praticamente.

Ao completar a sexta fase, há uma cutscene que mostra o céu com várias constelações formadas. Era de se supor que depois de passá-la o jogo iria terminar. Mas, não é isso que acontece.

O game, praticamente, se repete obrigando o jogador a passar as seis fases novamente... Porém, com dificuldade ainda mais aumentada do que antes. Tudo para praticamente ver a mesma cutscene novamente (só que com as cores bugadas) e ver o final do jogo:

Os dizeres “The End” em um fundo preto. Nem sequer existem créditos no game. Ou seja, não dá para saber quem foram os responsáveis por tanta porcaria...

Resumindo, Alex Kidd – The Lost Star é um jogo péssimo, com jogabilidade ruim, visual berrante, dificuldade elevada e que não tem absolutamente nada a ver com a franquia do Alex Kidd, exceto por seu title screen. Fechá-lo é, praticamente, um desperdício de tempo.

Talvez você se pergunte porque eu decidi fazer uma análise desse jogo. Eu o possuo na memória de meu “Master System Collection 3” e, em certo dia, passei horas jogando o game... O fechei e queria, ao menos, me aproveitar um pouco disso.

Se você leu até aqui, lhes dou meus parabéns. Mas, acho que esta foi uma das postagens mais inúteis que já fiz (e provavelmente minha última review – falarei sobre isso mais tarde), Estava enfurnada no meu computador há muito tempo e decidi postá-la...
Eu customo utilizar o GensPlus na maioria dos jogos, porém, no caso de “Alex Kidd – The Lost Stars” a emulação apresenta alguns erros de áudio nele. Por isso, nesse caso específico, eu recomendo o emulador Fusion.



Obrigado e até mais!